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Coração de um Anjo – Livro II (Trecho segundo)

21 mar

No lugar mais inconfesso e profundo
da sua abismal e turva calma
é o Anjo penetrante e confuso
a sua mais cega e impiedosa navalha
retalhando sem forças e prumo
a ausência da própria falta
em seu corpo inocente sem rumo
penitenciado com a lâmina suja
pelo doce fel do sangue imundo
das suas internas batalhas.
Derramado nos rastros
enlameados da loucura
que falsamente o consome
e diariamente o devora
com uma calma insone
renasce esquecido,
dividido e com fome de um amor
que simplesmente se esconde
no vazio improvável
dos Anjos crucificados
que angustiados imploram
a tola piedade dos Homens.
No seio terno
das suas mais cruéis
e devoradoras asas
sentimentos conflitantes
são ferozes habitantes e armas
que se guardam infiéis
junto as vestes das suas palavras
sob a forma de esculpidas
multidões dilaceradas
pintadas incoerentes
com a saliva indecente
das cinzas vulcânicas
desbragadamente jorradas
de emoções incandescentes urgentes
lentamente resfriadas
em lágrimas impuras
de lava pelas sombras severas
que inclementes na pele
feito sementes
foram a ferro e fogo semeadas
no solo fértil e caloroso
da carne de frieza ardente
em paz racionalmente esfarrapada.
Fruto da falta de fé
impiedosamente resignada
religiosamente incoerente
pelo fanatismo duramente desvirginada
não passa ele de uma imagem adormecida
sem nexo deflorada
em marcas reconhecidas
na pedra do coração entalhada
em veios de letras
poeticamente mal traçadas
banhadas a semelhança
do olhar sofredor
que se debate em chagas
em uma infrutífera procura
que sedenta de veneno
nunca se basta
na sua rota maldita
angelicamente inanimada
pelo desespero da angustia
bandida em pele imobilizada
por incerta vez
ter implorado sem entender
o sentido do que procurava
a um poder jamais pela razão
visivelmente percebido sem máscaras
um dia ao menos por um mísero segundo
infinito não ter se reconhecido
na trajetória cruel e fantástica
que o tem amarrado,
mastigado e impedido
nascer em uma história sem as glorias
e o sabor vaidoso das vitórias
de uma existência sem perigos
como a dos seres perdidos
e seus falsos limites nunca rompidos
que se sacrificam no mitológico paraíso
da ausência de sofrimento
em paz mortalha abençoada
no imaginário limbo
do inverso inverno
da sua eternidade.

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1 comentário

Publicado por em 21/03/2011 em Uncategorized

 

Uma resposta para “Coração de um Anjo – Livro II (Trecho segundo)

  1. carmen silvia presotto

    22/03/2011 at 17:35

    “Junto as vestes das suas palavras
    sob a forma de esculpidas
    multidões dilaceradas
    pintadas incoerentes
    com a saliva indecente
    das cinzas vulcânicas…”

    Feito fênix este anjo se reveste , deixa as cinzas no passado e tece com palavras novas estações de voos… anjo possível, anjo poético.

    Um beijo grande, menina poeta e parabéns!!

    Carmen.

     

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