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Arquivo mensal: março 2011

Coração de um Anjo – Livro II (Trecho segundo)

No lugar mais inconfesso e profundo
da sua abismal e turva calma
é o Anjo penetrante e confuso
a sua mais cega e impiedosa navalha
retalhando sem forças e prumo
a ausência da própria falta
em seu corpo inocente sem rumo
penitenciado com a lâmina suja
pelo doce fel do sangue imundo
das suas internas batalhas.
Derramado nos rastros
enlameados da loucura
que falsamente o consome
e diariamente o devora
com uma calma insone
renasce esquecido,
dividido e com fome de um amor
que simplesmente se esconde
no vazio improvável
dos Anjos crucificados
que angustiados imploram
a tola piedade dos Homens.
No seio terno
das suas mais cruéis
e devoradoras asas
sentimentos conflitantes
são ferozes habitantes e armas
que se guardam infiéis
junto as vestes das suas palavras
sob a forma de esculpidas
multidões dilaceradas
pintadas incoerentes
com a saliva indecente
das cinzas vulcânicas
desbragadamente jorradas
de emoções incandescentes urgentes
lentamente resfriadas
em lágrimas impuras
de lava pelas sombras severas
que inclementes na pele
feito sementes
foram a ferro e fogo semeadas
no solo fértil e caloroso
da carne de frieza ardente
em paz racionalmente esfarrapada.
Fruto da falta de fé
impiedosamente resignada
religiosamente incoerente
pelo fanatismo duramente desvirginada
não passa ele de uma imagem adormecida
sem nexo deflorada
em marcas reconhecidas
na pedra do coração entalhada
em veios de letras
poeticamente mal traçadas
banhadas a semelhança
do olhar sofredor
que se debate em chagas
em uma infrutífera procura
que sedenta de veneno
nunca se basta
na sua rota maldita
angelicamente inanimada
pelo desespero da angustia
bandida em pele imobilizada
por incerta vez
ter implorado sem entender
o sentido do que procurava
a um poder jamais pela razão
visivelmente percebido sem máscaras
um dia ao menos por um mísero segundo
infinito não ter se reconhecido
na trajetória cruel e fantástica
que o tem amarrado,
mastigado e impedido
nascer em uma história sem as glorias
e o sabor vaidoso das vitórias
de uma existência sem perigos
como a dos seres perdidos
e seus falsos limites nunca rompidos
que se sacrificam no mitológico paraíso
da ausência de sofrimento
em paz mortalha abençoada
no imaginário limbo
do inverso inverno
da sua eternidade.

 
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Publicado por em 21/03/2011 em Uncategorized

 

Coração de um Anjo – Livro II (Trecho)

Aprisionado na caverna
da multiplicidade de si mesmo
busca o Anjo em uma imagem
desencontrada frente ao espelho
distorcida e guardada
feito ferida amarga
na voz silenciada do seu peito
a historia estraçalhada
da origem dos fantasmas
emaranhados nas linhas trágicas
do seu desassossego
em um livro poético
escrito inverso
no voar de um poeta avesso
contraditório de amor
pela complexidade do seu texto
e confuso de dor no seio
do leito profundo e caudaloso
do rio sem curso do seu medo
escrito em sacrifício a sangue
turvo, denso e provocante
na carne de angustia sem fé gritante
em lágrimas de dor pelo desejo
de se achar entre pedaços
e palavras distantes
caladas no ritual errante
da profanação dos seus pesadelos
milimetricamente desencontrados
na rota obscura e louca
da desconexão do seu paradeiro
devorador, antropofágico e imperfeito
mascarado sem cor pelo surdo apelo
de um corpo libertário
de traços em chagas quase inteiro
pela salvação dos seus dilacerados
sonhos inocentes apaixonados
que pelo mar são salgados
a invisíveis olhos negros
cansados do gosto amargo
de ser tristemente rotulado
Anjo nu literário
sem corpo e asas verdadeiros
encravado a fel
nas marcas do retrato desbotado
idealizado de amor perfeito
onde abraçado quase vive naufrago
no oceano imaginado
em inferno pensamento
pela violenta falta
do que não compreende
como verdadeiro acerto
dentro de um predestinado
mapa versadamente tatuado
na pele transparente e clara
do que sem razão não tem direito
a paz em sua existência
de improváveis imensos erros
inconstantes pela condição
de ser do ar irrespirável navegante
desprovido da liberdade inebriante
infiel na clareza dos horizontes
que possam com paixão livrá-lo
da prisão cruel e angustiante
do desacerto das sombras lancinantes
que retratam e assombram
o eu desconhecido de um ser
que morre e renasce
eternamente em uma batalha
imprevisível e conflitante
no sagrado coração
da sua própria alma.

 
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Publicado por em 18/03/2011 em Uncategorized

 

Carnavalizando

O meu coração ritmado
pelo samba apaixonado
sai do meu peito rasgado
tamborim descompassado
na fantasia de um corpo suado
com desejos da pele em flor
pra brincar teu carnaval
Mascarado com sede de amor
sem saber onde começa o sonho
e se um dia na dor
do peito sangrando no resto do ano ele só se acabou
vai brincando do seu lado malandreado
de um jeito moleque carnavalizado
com o confete e a serpentina
que saem dos olhos apressados da menina
vestida de Princesa com os retalhos
de quem fantasiando e amando já a imaginou
Se não sabes quem sou
todos os dias na sua Lira aqui estou
Amanheço Colombina
entardeço Pierrot
e a noite menina também
Arlequim eu sei que sou
Em cada dia de folia
imagino meu amor
em plena avenida
desfilar sonhador
sambando eu sinto no todo
um Rio profundo de festa e calor
desaguando seus versos
no corpo poético
que desconhecidamente mais perto
querendo já me conquistou
Saudades do tempo que nunca passou
Meu peito em silencio reverencia
o carnaval que não acabou
a marchinha que da lembrança
do romântico nunca se apagou
Vou dançando em cima do Corso
que a historia eternizou
a folia mais bela e pura que aqui já se admirou
Não me leve nem bem nem mal
fica aqui que isso só é carnaval
Escrevo juntinho com o compositor
a paixão que vivendo um dia se encantou
pela escola de samba do meu grande amor
a Porta-estandarte de um sonhador
Eu sigo brincando com meu coração
com a intensidade da minha emoção
Sou uma menina
Não sou ilusão
Do futuro quem sabe
é só a razão
Eu não vou esperar
o meu bloco passar
Aproveito a Folia sem nunca cansar
sabendo que a quarta é de cinzas
e que tudo vai se acabar
Só para a dura vida encontrar seu lugar?
Será?
Eu não acredito
Vem brincar comigo?
De ser Feliz

 
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Publicado por em 03/03/2011 em Uncategorized

 
 
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